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Sobre a violência contra as mulheres

A violência entre mulheres tem se tornado cada vez mais frequente. Pode ser no relacionamento, dentro de casa ou na rua e por conta disso as mulheres estão cada vez mas vulneráveis a falar sobre o assunto. Em muitos casos a maioria das mulheres se sente ameaçada pelo próprio companheiro e por isso se calam. Muitas vezes por medo de perder a própria vida.

Pesquisas apontam que a cada 5 mulheres, 3 já sofreram violência doméstica e isso mostra o quanto tem aumentado o índice de violência contra as mulheres. Nesse caso muitas infelizmente não conseguem denunciar o companheiro e acabam sendo cada vez mas agredidas tanto verbalmente como fisicamente.

A lei Maria da Penha entrou em vigor no ano de 2006 com intuito de ajudar a mulheres que sofrem qualquer tipo de agressão seja verbal,física ou sexual e mesmo assim a violência contra as mulheres só tem aumentado. Os parceiros não se intimidam com a lei Maria da Penha que muitas vezes não as protege. E neste caso a violência contra as mulheres só piora, muitas se sentem envergonhadas a falar sobre o assunto e até mesmo denunciar o companheiro por conta de ameaças. Algumas tem o final triste, são abusadas sexualmente e até mesmo violentadas até a morte!

Aconselho a todas as mulheres que estejam passando por essa situação, que procure seus direitos e denuncie antes que seja tarde demais. É lamentável que mulheres estejam perdendo sua vida por conta da vergonha e do medo.

Blitz contra a violência

No dia 31 de março de 2015, Polícia Rodoviária Federal efetuou blitz de conscientização e combate à violência contra a mulher em trecho da BR-319, em Porto Velho, RO. Em companhia do Ministério Público Estadual, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Civil e do Rotary Club, participantes entregaram folhetos e chocolates aos motoristas que passaram pela região.
De acordo com a PRF, a atividade na avenida teve como finalidade acudir as mulheres em situações vulneráveis. A parceria de diferentes órgãos e instituições quer incentivar e orientar homens e mulheres a denunciar qualquer tipo de violência doméstica, seja física ou psicológica. “Qualquer pessoa que estiver sofrendo violência, ou tiver conhecimento do ato, denuncie”, instrui uma policial.
Cerca de 60 pessoas participaram do movimento, sendo a grande maioria policiais mulheres, panfletando e distribuindo aos motoristas chocolates. “Precisamos do apoio dos homens, no sentido de não praticar a violência e de denunciar se tiver conhecimento de alguma prática contra a mulher”, fala Azevedo.
Alguns motoristas, de início, se sentiram intimidados com a interferência, mas contemplaram a atitude e se surpreenderam. “Algumas mulheres abordadas contaram que passaram por situações de violência, uma até disse que ontem conseguiu ir até a delegacia para fazer denúncia”, lembra.
Qualquer pessoa pode denunciar todo ato de violência contra a mulher através do 191, ou diretamente nos órgãos e instituições.

Projeto promete ajudar homens a mudar visão de violência doméstica

Projeto é realizado com homens que cumprem pena pela Lei Maria da Penha, em Vitória, e tem como principal objetivo fazer com que se pense e reflita sobre a violência doméstica. De acordo com os integrantes, os debates em grupo têm melhorado a relação com suas parceiras. O programa “Espaço Fala Homem” foi criado no ano de 2013 e já contou com cinco turmas desde então.
O último grupo participante, no total, fez parte de cinco encontros onde foram abordados temas referentes à comunicação não violenta, à Lei Maria da Penha e às redes de atendimento municipais.
Segundo a assistente social, Fernanda Vieira, uma das maiores contribuições do programa é o fato dos membros refletirem sobre suas ações em relação às parceiras. “Nas dinâmicas, eles puderam verbalizar sua experiência e refletir sobre a necessidade de romper com esse ciclo da violência”, contou a assistente.
Um dos integrantes que retomou com a companheira, L.E. N, de 50 anos, mencionou que seu relacionamento melhorou após as reuniões. “Eu não sabia nada sobre a Lei Maria da Penha e nunca tinha parado para pensar sobre as temáticas abordadas no grupo. Nosso relacionamento melhorou muito. Agora temos conseguido dialogar e evitar brigas desnecessárias”.

E não para por aí! O projeto não é só voltado para os homens. Conforme a gerente de Políticas de Promoção de Gênero, Lorena Padilha, a intenção desde o princípio, era também realizar um grupo com a cooperação de mulheres que tinham algum tipo de vínculo com os integrantes do “Espaço Fala Homem”.

Mulher, não se cale, lute

Durante o dia 25 de novembro de 2014 – Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher -ativistas feministas saíram às ruas brasileiras para mostrar sua indignação e convidar mulheres a participar dessa luta. Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física ou sexual, cerca de 120 milhões de meninas já foram submetidas à sexo forçado e 133 milhões de mulheres e meninas já sofreram mutilação genital. A data é importante para a reflexão do grande número de violência ao gênero, assim como o que se tem feito para a melhoria do problema.

Segundo a OMS: “Violência é definida como o uso proposital de força física ou do poder, real ou ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou comunidade que resulte ou possa resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação (OMS, 2002)”.

Nesse ano, o prédio da entidade em Brasília e a sede principal, em Nova Iorque, serão iluminados com luzes laranjas – cor escolhida como símbolo do movimento.  A iluminação dessas construções ocorrerá do dia 25 de Outubro ao dia 10 de Dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos – representando os famosos 16 Dias de Ativismo Contra a Violência de Gênero, realizado no Brasil desde 2003. O objetivo do projeto é criar debates sobre os prejuízos da violência contra as mulheres, incluindo os gêneros masculino e feminino, indicando atitudes e responsabilidades para extinguir esse tipo de abuso.

Principal meio de denúncias relativas à violência doméstica no Brasil é o Ligue 180

A violência contra as mulheres é um problema global e bastante antigo. Atualmente, a maior parte dos países vem se esforçando para acabar com esse problema. Segundo uma pesquisa da Organização das Nações Unidas de 2011, o percentual de mulheres que são agredidas física ou sexualmente pelo parceiro varia entre 5% na Geórgia e 70% na Etiópia. No Brasil, o índice apontado é de 34%.

Durante o ano de 2006, entrou em vigor no Brasil a Lei Maria da Penha, criada especificamente para coibir a violência contra a mulher. Apesar desse avanço, os números continuam sendo preocupantes. Segundo aponta o Mapa da Violência de 2012, produzido pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, o Brasil ocupa o 7º lugar no ranking mundial de mulheres assassinadas.

O sistema de proteção à mulher no Brasil está sucateado, o país conta com 374 delegacias da mulher, número que cobre apenas 7% dos municípios.

Hoje, o principal meio de denúncias relativas à violência doméstica é o Ligue 180, que pode ser contatado gratuitamente. As atendentes são treinadas para orientar as mulheres e encaminhá-las para os órgãos mais adequados de acordo com cada situação. Desde que foi criada, em 2005, a linha já recebeu mais de 2 milhões de ligações.

Projeto de deputada prevê aumento de pena para violência contra as mulheres

Aline Corrêa (PP – SP) é a deputada autora do Projeto de Lei 5097/13, que prevê a elevação da pena para violência contra as mulheres. Enquanto que atualmente a pena prevista varia entre três meses a um ano, a proposta de Corrêa é o aumento da variação. No caso, variaria de três meses a três anos de detenção. Outra diferença seria que em caso de violência doméstica, a Justiça poderia agir independentemente de queixa.

Segundo a autora do projeto, foi na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher que o tema foi surgiu e foi sugerido. A causa para uma mudança na penalidade, seria que a pena para lesão corporal de qualquer tipo é a mesma que a aplicada nos casos de violência contra a mulher, o que é segundo ela, uma distorção dos fatos. Atualmente, a proposta está sendo analisada pelas comissões responsáveis, a de Seguridade Social e de Família, bem como pela de Constituição e Justiça e pela de Cidadania. Assim que a Proposta for analisada por estas comissões poderá ser, então, votada em Plenário.

Segundo uma pesquisa disponibilizada no próprio site da Câmara de Deputados, 75% dos leitores concordam com esta iniciativa da deputada Aline Corrêa, enquanto que 25% se posicionam contrariamente. Agora resta aguardarmos para vermos se este Projeto será aprovado. Sempre lembrando que faz parte do papel dos eleitores entrarem em contato com os parlamentares que ganharam seu voto e exigirem um posicionamento em relação aos assuntos que lhe digam respeito.

Outros tipos de violência contra a mulher

É certo que a violência física contra as mulheres é um dos tipos de violência que mais encontra caminhos de divulgação na mídia, além de ser facilmente assunto de debates. É claro que existe uma razão para isso: a violência física coloca a vida em risco, e esta é a razão do maior destaque. Entretanto, é importante atentar que se há cada vez mais campanhas e leis de apoio às mulheres, não podemos de ter em mente outros tipos de violência, que podem ser mais sutis, mas que justamente por isso não recebem a mesma atenção, muito menos legislativamente.

É comum que as mulheres, ao andarem nas ruas, recebam olhares. E que, além disso, recebam elogios/cantadas/convites por parte dos homens. É complicado às vezes fazer com que a população masculina entenda que ao verbalizar algo a uma mulher na rua, ele não está sendo gentil, pelo contrário, está tendo uma atitude de desrespeito, e que não é agradável aos ouvidos femininos. Receber este tipo “cantada” é ofensivo, ainda mais porque nem sempre é um elogio que é proferido, mas muitas vezes palavras que envolvem as partes íntimas femininas e algum outro comentário sexualizado. Isso é violência verbal, e ainda não há uma lei que dê conta de denunciar este tipo de ato.

Tentar justificar este tipo de atitude é como justificar um estupro em função da roupa usada pela mulher. Por acaso um homem seria estuprado se saísse de cueca pela rua? Provavelmente não. Não é o quanto do corpo se destaca ou aparece que faz a diferença do quanto ela pode ou não ser estuprada. É uma questão ética e moral social. E as mudanças nas entrelinhas envolvendo as posições sociais de homens e mulheres merecem tanto destaque e discussão quanto quaisquer outros tipos de violência.

Informações sobre algumas políticas de assistência à saúde da mulher

A violência contra é mulher é um problema antigo, e várias iniciativas governamentais têm tentado diminuir a incidência deste tipo de violência, que parece necessitar ser sempre colocado em pauta, a fim de evitar um aumento nos números estatísticos. Em 1993 foi criado no Brasil o Programa Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), um programa que visava aumentar o escopo de assistência governamental à mulher, alargando a relação anteriormente assistida entre mãe e filho. Com esta nova proposta, a assistência abrangeria, então, todas as etapas de vida da mulher.

No ano de 2008 foi divulgado o II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (II PNPM), em que foram ampliadas as categorias de assistência à mulher, principalmente em relação à igualdade e à justiça social. Outra preocupação vigente era diminuir a mortalidade materna e infantil ao longo da gravidez, parto e pós-parto. Bem como em relação ao aumento do oferecimento de exames de mamografia e da distribuição de pílulas anticoncepcionais.

Mesmo que pareça que tratarmos sobre a saúde da mulher é um assunto distante da violência masculina contra estas, as relações entre eles, na verdade, é bastante próxima, apenas vista por um prima diferente. Se levarmos em conta que a maioria, ainda hoje, das posições ocupadas nas câmaras legislativas são preenchidas por homens, vemos que estas iniciativas são na verdade uma tentativa de lutar contra anos de descaso em relação a estes tipos de serviços que dizem respeito ao universo feminino. São muitas as camadas de violência contra a mulher, não apenas a violência física, a mais explícita. E é contra todos os tipos que temos que lutar.

Afinal, quais as causas da violência contra a mulher?

Muito se tenta, hoje em dia, conscientizar a população contra a violência às mulheres.  É um trabalho árduo, muitas vezes revoltante, frente às agruras quase inacreditáveis que são vistas. Campanhas são feitas aos montes, bem como esta mesma, assim como a própria Lei Maria da penha, que pune aquele que agir com violência contra a mulher. A origem deste problema é distante, quase nebuloso, mas é importante que nos reportemos a eles, mesmo que de maneira rápida, para que pensemos no porquê de ainda hoje enfrentarmos este problema.

Como se sabe, a construção da sociedade ocidental é baseada no ponto de vista masculino. A mulher foi subjugada ao longo dos séculos, a ser aquela que apenas apoia as tarefas do homem, ou então que realiza tarefas “menos honrosas”, como o preparo da refeição e o cuidado dos filhos. Aos homens coube escrever a história, e isso tem consequências. Mas antes que alguém diga que não há mulheres que tenham realizado feitos importantes na história, bom, não precisa muito tempo para quebrar este argumento. O que sempre faltou foi espaço, facilidade e incentivo. Mas de onde vem isso?

Primeiramente, quando pensamos na dualidade homem/mulher, é normal associarmos, respectivamente, razão/emoção, força/delicadeza e outros antagonismos. O fato é que estas construções não são biológicas, quer dizer, não são características naturais dos seres, mas sim construções culturais construidas pela sociedade. E agora voltemos um pouco, a sociedade foi construída com base no olhar masculino, não é mesmo? Isso quer dizer que uma mulher que se identificasse com a razão e a força, por exemplo, características culturalmente identificadas com o universo masculino, fossem vistas como masculinizadas e, o pior de tudo, como uma ameaça à hegemonia masculina. Esta é uma das origens da miscigenação e, em consequência, da violência contra a mulher. Esta violência parte de uma ideia de “perda de poder”, como se alguém que lhe é subjugado tentasse se rebelar. É, inclusive, essa a origem da homofobia. No momento em que um homem rejeita estas características típicas do universo masculino, ele identifica-se, por consequência, com o universo feminino. E por que um homem gostaria de se identificar com o universo feminino-inferior, se é um varão-poderoso?

Pois é, parece absurdo pensar que são essas as ideias que estão por trás da violência contra a mulher, mas temos que entender que são ideias construídas ao longo dos séculos, e que é difícil mudar ideias tão profundamente arraigadas na sociedade. Mas é assim mesmo, com luta e visibilidade, que vamos mudando esta triste situação.

Comentários

  1. lucilaine bueno da silva em disse:tem que acabar com essa violência com as mulheres. eu sou uma vitima.

Condenação de atriz iraniana por participação em filme

Marzie Vafamehrha, uma atriz iraniana, foi condenada a 90 chicotadas e um ano de prisão por atuar em um filme que retrata a problemática situação feminina no país. Outras pessoas envolvidas no filme também foram presas, mas apenas Marzie Vafamehrha foi condenada – é válido dizer que o filme havia sido aprovado pelo Ministério da Cultura e Orientação Islâmica.

O é resultado de um projeto universitário, e vários estudantes da universidade participaram da produção. É comum, no Irã, que mulheres atuantes em produções que tratem sobre a situação feminina no país acabem sofrendo algum tipo de retaliação, fato que acaba por corroborar com a denúncia a qual se propõe.

O filme chama-se “My Tehran for Sale”, data de 2009 e foi produzido por Garanaz Musavi. A sinopse é simples: o filme conta a história de uma mulher artista que tenta viajar para a Austrália, mas que enfrenta diversos problemas por isso. O filme foi apresentado em diversos festivais, e atualmente está sendo pirateado no Irã, principalmente após a polêmica no qual foi envolvido.

Já Marzie Vafamehrha, está na prisão de Garchak, um local sem condições de higiene, e sem condições de abrigar prisioneiras. Ela já atuou em outras produções locais, além de já ter dirigido e produzido algumas outras produções cinematográficas. Tudo isso só mostra que em alguns país, a posição da mulher perante a sociedade ainda é difícil, o que corrobora para que a violência contra elas seja praticada impunemente. O Irã é um dos países mais radicais neste sentido, com as mulheres subjugadas a posições de inferioridade.